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Você é suficiente!

(Texto de Ivonete Lucirio)

Pode parecer uma frase estranha e batida, mas é isso mesmo: só é possível ser feliz quando sabemos que temos – ou melhor, somos – tudo o que precisamos.

Você provavelmente tem Facebook, Instagram, grupos e grupos de whatsapp. Pare 5 minutinhos e olhe as últimas mensagens em cada um deles. Qual é a sensação? Muito provavelmente, de incompletude, depois de ler sobre viagens para a Europa, vitórias conquistadas, famílias irretocáveis. Isso sem falar nos corpos maravilhosos. Parece que todo mundo é perfeito, menos você. Os culpados por essa sensação não são as redes sociais ou os aplicativos. Mas talvez ela tenha sido exacerbada por causa do acesso às redes e a outros meios de comunicação. De acordo com um trabalho feito por Petya Eckler, da Universidade de Strarchclyde, em Glasgow, na Escócia, quanto mais as mulheres são expostas a selfies e a outras fotos nas mídias sociais, mais elas se comparam negativamente.

Uma pesquisa global – que incluiu o Brasil – realizada pela empresa fabricante da marca de sabonete Dove – mostra o quanto a mulher está insatisfeita ou insegura: apenas 4% estão felizes com sua imagem; apenas 11% das adolescentes se sentem confortáveis ao dizerem que são bonitas. E, embora 80% das mulheres concordem que todas têm algo bonito para ser mostrado, não conseguem enxergar a beleza em si mesmas. A imagem corporal é apenas um dos itens que são colocados na balança na hora de se colar os rótulos da perfeição, mas certamente é um dos que tem maior peso.

É preciso aprender a resistir ao bombardeio – geralmente ilusório – da perfeição alheia. Não deveríamos deixar que a satisfação que sentimos sobre quem somos seja ditada pelo outro. Muitas vezes, delegamos às outras pessoas o direito de determinar se somos bons ou não. Errado. “Cada pessoa tem o seu próprio conceito do que é certo, errado, bom ou ruim. E é preciso avaliar a intenção do que é dito, quais são os valores da pessoa que fala”, diz a psicóloga e escritora Olga Tessari, autora do site Olga Tessari. Precisamos sempre filtrar o que é ouvido. “Quem vive em função de agradar aos outros só para ouvir elogios acaba perdendo sua própria essência como pessoa” – complementa ela.

Para passar a ouvir mais a si mesma do que ao outro, é preciso coragem. E essa palavra pode ser usada aqui nos dois sentidos. O primeiro é o mais conhecido: no sentido de bravura. O segundo leva em conta a origem da palavra, que é “contar uma história com todo o coração”. Para saber que somos suficientemente boas, é preciso, antes de tudo, ter coragem de assumirmos as imperfeições como parte de nós. “É saber que você é imperfeita, mas está pronta para a briga”, diz a pesquisadora americana Brené Brown, autora do livro A coragem de ser imperfeito (Editora Sextante).

Para não cair na armadilha de deixar que os outros digam quão magra, quão bem-sucedida ou quão inteligente você deve ser, é fundamental, antes, saber o que realmente você é e quer ser. É ter a coragem – mais uma vez – de agradar, antes de tudo, a si mesma, e não deixar que os outros digam como você deve ser ou agir. Assim, é possível sentir-se mais completa.

“Quando aprendemos que somos suficientes, paramos de gritar e passamos a ouvir”, diz Brené Brown. Por isso, tornar-se mais segura da própria completude proporciona não somente uma melhora na forma como nos enxergamos, mas também no modo como nos relacionamos com os outros. Afinal, ser completa – mas não perfeita, já que são coisas diferentes – é poder partilhar parte de si com os outros, sem perder a própria essência.

Ajuda de verdade na rede

A internet está cheia de vídeos que objetivam melhorar a autoestima. Alguns apresentam qualidade; outros, nem tanto. Um recomendado é o site de palestras que vai muito além da autoajuda: O TED é uma organização americana sem fins lucrativos dedicada a espalhar ideias por meio de palestras curtas, de alto impacto, sobre variados assuntos. Trata-se de uma mina rica em material que auxilia no processo de autoconhecimento. E há até playlists como Talks for when you fell like you are not enough (Palestras para quando você sente que não é suficiente), disponíveis aqui (Acesso em: 29 dez. 2017).  Reúne 11 apresentações, embasadas em pesquisas, que mostram o quanto cada um é completo, embora ache que não. A maior parte das palestras está legendada em português, como a de Brené Brown, mencionada neste texto.

 Ivonete Lucirio, jornalista que adora escrever para revistas – digitais ou impressas. Escreve artigos para várias publicações de circulação nacional, é autora de livros paradidáticos, e já ministrou oficinas de escrita criativa.

Crédito da imagem de capa: Fotogestoeber/Shutterstock

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