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Você é ansioso? Conheça Helena.

(Texto de Josie Conti)

A velha casa rangia como se estivesse viva. A luz da sala oscilava entre os clarões dos relâmpagos e o silvo do vento. Chovia. Escureceu rapidamente.

Seu coração, descompassado, não conseguia encontrar o ritmo. Respirar tornou-se difícil. O movimento para preencher os pulmões de ar, por mais rápido que se tornasse, não parecia trazer alívio. Tudo ficava cada vez mais abafado. As mãos suavam e o mundo girava. Seu cérebro, à beira de um colapso, percebia cada som em câmera lenta. Ela sabia que a morte caminhava pelo corredor.

Eram dezoito horas e Helena não conseguia se acalmar. O motivo? Sua filha, Jéssica, estava quinze minutos atrasada. Em sua mente, literalmente, um filme de terror ganhava formas ameaçadoras e a engolia em uma série de pensamentos e sensações que não conseguia controlar.

Um ansioso não conhece presente. Um ansioso vive em dois mundos: suas experiências passadas e as fantasias futuras.

Se Helena soubesse como controlar o que sente, com certeza, não escolheria pensar no atraso de sua filha relacionando-o com ideias de perigo, catástrofes e morte. Helena sabe que é ansiosa, mas o que ela ainda não sabe é que ela não merece ser responsabilizada, julgada nem condenada por isso.

Um ansioso permanece muito tempo em estado de alerta. E, como seu organismo não consegue diferenciar estímulos seguros de ameaças, ele se mantém em guarda e esperando pelo pior.

Se soubesse como explicar, Helena perguntaria se, alguma vez, você passou horas – ou até mesmo alguns dias – esperando uma notícia muito importante, ou algo realmente vital, como o resultado de um exame que daria novos rumos à sua vida. Se você lhe dissesse que sim, ela talvez chegasse perto de conseguir demonstrar como são os seus dias, como são as suas noites e os motivos de, tantas vezes, estar tão cansada e irritada. Ela tentaria explicar que um Sedex atrasado lhe causa o mesmo mal-estar de um assalto. Ela tentaria explicar que, mesmo estando com os documentos em dia e o carro em ordem, se um policial rodoviário a fizesse parar, ela tremeria, suaria, gaguejaria em pânico. Ela tentaria explicar que sente vergonha e culpa, mas que não consegue ser diferente porque ela sente demais, porque seu peito dói, porque seus pensamentos aceleram e ela fica confusa, porque suas pernas ficam moles e ela tem medo de cair.

Helena gostaria de explicar que quer melhorar, que não gosta disso e que fica arrasada quando alguém a chama de exagerada ou neurótica. Se você realmente ouvisse Helena, entenderia que o que ela tem é algo crônico e doloroso.

Se você ouvisse Helena, saberia que ela não consegue evitar, mesmo que tente muito. Você saberia que a ansiedade é uma doença e que, ao contrário de julgamentos e preconceitos, o que Helena precisa é de ajuda.

A ansiedade é uma epidemia silenciosa e que leva as pessoas ao colapso por exaustão emocional e física. Para saber se a ansiedade ultrapassou os limites da normalidade, a pessoa deve avaliar se os seus sintomas limitam sua rotina ou mesmo se, por causa deles, ela parou de fazer coisas que antigamente fazia com prazer. Se a resposta for “sim”, é importante saber que a ajuda existe e pode ser encontrada.  Se isso ocorre com você, fale com um familiar ou um amigo de sua confiança e procure um profissional de saúde mental: psicólogo ou psiquiatra. Avalie sua situação. Não permita que a doença tome conta da sua vida.

Se eu fosse Helena, eu gostaria que você tivesse lido esse texto.

 Josie Conti é blogueira e empresária. Após trabalhar por muitos anos como psicóloga, abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais. Hoje, conjuntamente com sua equipe, trabalha prioritariamente na internet, na administração funcional, editorial e publicitária de redes sociais e sites como CONTI outra, A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil, além de várias outras fan pages que totalizam cerca de 8.5 milhões de usuários. Escreve também para a Contemporânea Brasil.  

 

Crédito da imagem de destaque: TypoArt BS/Shutterstock

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