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Tecnologia na Educação para quê?

(Texto de Caio Dib)

Como podemos aproveitar as novas tecnologias para revolucionar a educação em um país com tantas necessidades

Afinal, as tecnologias digitais na educação realmente apoiam o aprendizado e o desenvolvimento dos jovens ou são apenas elementos decorativos na sala de aula? No fim de 2016, a Folha de S.Paulo, em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e o Todos pela Educação, realizou o Seminário Inovação Educativa para discutir as diversas maneiras de inovar na educação brasileira. O evento reuniu diversos especialistas da área para conversas sobre assuntos como tecnologia, reforma do Ensino Médio e formação de educadores.

Em 2013, viajei cinco meses de ônibus pelo Brasil para conhecer realidades brasileiras e iniciativas que fazem a diferença na educação do nosso país1, principalmente quando olhamos para soluções que buscam o desenvolvimento humano e integral dos estudantes. Na época, tinha acabado de terminar o meu trabalho de conclusão de curso. O resultado foi um livro digital chamado Educação Reinventada: a tecnologia como catalisadora de uma nova escola2. Nele, defendia a tese de que a tecnologia entraria na escola e mudaria as relações humanas, criando uma proposta com mais afeto, autonomia e significado.

Na metade da viagem, conheci Dona Maria enquanto esperávamos nossos ônibus na rodoviária de Barreiras (BA). Idosa e bem humilde, Dona Maria era professora temporária de escolas no oeste baiano. Na conversa, ela me contava as “faltas” dessa realidade: faltam alunos – e por isso as salas são multisseriadas –, faltam livros didáticos e transporte escolar – apesar dos caríssimos programas governamentais –, falta banheiro, falta salário, falta respeito de todos os lados. Faltava tudo na realidade dela. Fiquei questionando o que eu tinha feito da minha vida até aquela conversa.

Fiquei quase uma semana pensando se estava no caminho errado: pra que buscar inovação na educação se Dona Maria representava um problema tão comum quanto seu nome? Entendi que, se formos parar para solucionar os problemas básicos da educação (como as quase 10 mil escolas sem luz na rede pública, por exemplo), demoraríamos muito tempo e teríamos outros problemas tão graves quanto. E aí, concluí: Temos de “trocar o pneu com o carro andando”: resolver o básico e buscar inovações ao mesmo tempo. Nossa sorte é que o brasileiro é um empreendedor de necessidade nato e consegue ressignificar os recursos que possui, além de também termos muitos empreendedores que viram oportunidades de negócio no país.

No seminário da Folha, os especialistas destacaram como a tecnologia vai ser usada além de meras máquinas. A entrada de inovação nas escolas é apontada como uma oportunidade muito grande de aumentar o diálogo e ressignificar os espaços das instituições de ensino. Anna Penido, do Instituto Inspirare, defendeu em entrevista para a Folha que, para inovar a educação, é preciso promover uma maior colaboração entre alunos e professores e ampliar o espaço de aprendizagem para além da sala de aula. “A forma de aprender está mudando. Se não ouvirmos o que os alunos querem, ficaremos desconectados”, reforçou.

Fabio Valentim, da Una Arquitetos e parceiro de Anna na roda de conversa, defendeu que não há necessidade de uma reconstrução física da instituição escolar, mas sim uma ressignificação dos espaços educacionais. “A existência da sala de aula continua se mantendo. A tendência é que ela se agregue a outros espaços para ter uma escola mais unificada”, disse. Já Mozart Ramos, do Instituto Ayrton Senna, defendeu que a tecnologia pode ser usada para aproximar educadores e estudantes: “A tecnologia precisa ser um grande aliado do professor, mas ele só vai poder desenvolver isso em sua plenitude se tiver os alunos com ele”. O aluno de hoje é outro: tem uma nova maneira de ver e agir no mundo, conversa em outras linguagens, sente o tempo passar de um outro modo. As instituições de ensino e as iniciativas que trabalham para entregar soluções para esse público se veem obrigadas a reformatar suas práticas para se adaptar a uma nova geração que já chegou na escola.

Enfim, a tecnologia na educação pode tornar a escola um ambiente mais criativo, dialógico e democrático. Nesse sentido, deixo a dica para conferir tudo que rolou no Transformar 2017, o maior evento sobre inovação e educação do Brasil que reúne especialistas e projetos que trabalham bastante com as novas tecnologias. Acesse Transformar educação e confira os bastidores no Facebook do Caindo no Brasil.

Notas:

1 Acessar: Um pouco da história – como o Caindo no Brasil começou . Acesso em: 14 jun. 2017.

2 Educação Reinventada

Caio Dib é criador do Caindo no Brasil. Ele adora trocar ideias e marcar cafés, então, entre em contato pelo www.facebook.com/caio.dib ou caiodib@caindonobrasil.com.br para continuar essa conversa.

Crédito da foto de destaque: Violetkaipa/Shutterstock

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