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Segredos das relações duradouras

(Texto de Josie Conti)

Não existe uma só pessoa que não fique admirada ao deparar-se com um casal que permanece junto há muitos anos e preserva uma relação construtiva, apesar de todos os percalços da rotina e do tempo.

Embora possa parecer que essas pessoas tiraram a sorte grande por ter encontrado o “grande amor”, se nos aproximarmos e olharmos a relação com um pouco mais de cuidado, perceberemos que existem comportamentos adaptativos que foram adotados pelo casal e que se tornaram alicerces para uma vida mútua de longa data.

Identificar e buscar a solução para desavenças; respeitar diferenças de personalidade; adiar uma conversa para um momento em que ambos estejam mais calmos; perceber nuances nos gestos e no olhar do parceiro são apenas algumas das estratégias que casais bem-sucedidos usam, ainda que intuitivamente.

Falar de intuição é importante porque, muitas vezes, pecamos ao antecipar a exigência de um perdão, forçamos palavras enquanto o outro ainda precisa de tempo, comentamos coisas quando deveríamos calar. Os casais que perseveram aprendem que, em alguns momentos, mesmo que errada, a outra pessoa precisa ser ouvida, ou ter o seu silêncio respeitado, a fim de que tenha tempo para se acalmar e ter condições de enfrentar a situação; que exigências em momentos de humor caloroso apenas incitam a defesa e que uma noite de sono antes de voltar ao assunto pode fazer toda a diferença. Relacionar-se com qualidade é respeitar o tempo do outro, tanto o tempo que lhe é necessário para concluir processos, quanto o tempo que percorreu e que constituiu inúmeras transformações em sua forma de ver e estar na relação.

Crédito: Jamesteohart/Shutterstock

O autoconhecimento é o ingrediente primeiro e, talvez, o maior segredo para uma relação duradoura. Se a pessoa conhece os seus limites, seus gostos e seus valores, ela consegue administrar melhor a linha que delimita o quanto ela deve se submeter ao outro, evitando que a relação se torne abusiva e hierarquicamente disfuncional. Quem se conhece percebe quando está num dia ruim e evita atacar quem mais ama por motivos torpes; e pede por espaço quando não está em condição de se doar. Quem se conhece impõe limites para si e para o outro, de forma assertiva e tranquila.

O amor-próprio proporciona à pessoa o valor exato de si mesma e permite que não se deprecie, que demande trocas justas e que exija respeito com as palavras. Duas pessoas que tenham conseguido preservar seu amor-próprio são capazes de se relacionar sem disputa, posto que a relação não deve ser uma guerra entre dominante e dominado.

Quem se respeita também compreende que o zelo com as palavras é vital em um bom relacionamento: dizer tudo o que quer, na hora que quer e sem refletir pode ocasionar um desgaste fatal e desnecessário, além de contribuir para a diminuição do vínculo e a perda do respeito mútuo. Casais que vivem bem ao longo de anos sabem que é necessário um cuidado carinhoso com o que é dito – principalmente nos momentos de desavença –, pois nunca podemos nos esquecer de que a perda do respeito é um caminho, na maioria das vezes, sem volta.

Casais que vivem bem sabem o valor de um pedido de desculpas e o usam, não indiscriminadamente, mas quando percebem que passaram dos limites, que atribuíram ao outro uma culpa que era pessoal, que erraram.

Casais que vivem bem aprenderam a conviver com as manias e as chatices do outro sem querer transformá-lo ou melhorá-lo. As estratégias costumam estar ligadas aos limites pessoais e à sabedoria em compartilhar com o parceiro a liberdade para que cada um possa continuar sendo quem é. Essa é uma das escolhas mais difíceis e, ao mesmo tempo, sábias, pois se centra na necessidade de preservar os espaços individuais, nos quais cada um pode realizar suas excentricidades e atividades peculiares, sobretudo as que não agradam ao outro.

Da mesma forma, casais que perseveram guardam tempo para si mesmos, enquanto parceiros. Pode ser uma atividade que partilham com prazer, seja a compra no supermercado ou o momento de verem um filme juntos. Há, nesses casais, a lembrança esporádica de que ajudar ao outro é necessário e a compreensão de que brigas existem, mas são indicativos da necessidade de reconstruir algo de maneira diferente, de calibrar, balancear e fazer o rodízio das rodas. Ou seja, em alguns momentos, é necessário afinar as cordas para conseguir seguir em harmonia.

Necessário, e também cultivado por esses casais, é a lembrança do que motivou a união, a permanência de fatores de admiração e o surpreender-se e surpreender o parceiro com um toque, um elogio e uma atitude positiva.

Mas, talvez, uma das grandes aprendizagens dos que conseguiram construir relações duradouras e saudáveis, e que pode ser vista como uma dica para os que estão tentando construir algo sólido, é a compreensão de que ter disponibilidade para ouvir e estar afetivamente próximo pode ser mais valioso do que oferecer soluções imediatas, ou ter respostas prontas nos momentos de desafio.

A sobrevivência do amor, afinal, constrói-se ao longo de um caminho de respeito, silêncio reflexivo e mãos dadas.

 Josie Conti é blogueira e empresária. Após trabalhar por muitos anos como psicóloga, abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais. Hoje, conjuntamente com sua equipe, trabalha prioritariamente na internet, na administração funcional, editorial e publicitária de redes sociais e sites como CONTI outra, A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil, além de várias outras fan pages que totalizam cerca de 8.5 milhões de usuários. Escreve também para a Contemporânea Brasil.

Crédito da foto de capa: Aleksandr Markin/Shutterstock

1 Comentário

  1. sirley

    Bom

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