Quem será seu chefe no futuro? Ou você será chefe?

(Texto de Caio Dib)

Era comum na década passada [anos 2000] que pessoas com alto potencial analítico e bagagem técnica invejável subissem rapidamente na hierarquia das empresas, mesmo apresentando dificuldades de relacionamento e pouco perfil de colaboração. Na atualidade, porém, o mercado de trabalho exige profissionais que apresentem características que vão além do alto potencial técnico, destacando-se pela colaboração e pela capacidade de diálogo com equipes multidisciplinares, capacidade de realizar análises complexas das situações que vive, autonomia para realizar o que foi solicitado e ir além, realizando novas experiências.

São essas habilidades socioemocionais que ditam (e guiarão cada vez mais) as novas estratégias do mercado, do Estado e de outras instituições presentes na sociedade. Consequentemente, as enormes listas feitas pelas escolas e pelos cursinhos com os aprovados em vestibulares das melhores universidades do país começam a ser questionadas e levam essas instituições de ensino a buscar novas alternativas para o desenvolvimento de crianças e jovens, visando a formação para  a atuação na sociedade.

A formação de pessoas para superar os desafios do século XXI demanda um desenvolvimento de habilidades e competências como responsabilidade, colaboração, comunicação, criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas, entre outras. Na proposta do Paradigma do Desenvolvimento Humano, por parte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), na década de 1990, o ser humano foi inserido no centro dos processos de desenvolvimento para que se tornassem protagonistas das transformações em suas realidades.

Crédito: bitmag

De acordo com o caderno Competências socioemocionais: material de discussão, produzido pelo Instituto Ayrton Senna1: “Na mesma direção, o Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século 21, organizado por Jacques Delors, sintetiza a Educação para o século 21 em quatro aprendizagens que concorrem para a formação de um ser humano mais preparado para enfrentar os desafios de um mundo com contornos ainda incertos. São elas: aprender a ser; aprender a conviver; aprender a conhecer e aprender a fazer. Conhecidas como os quatro pilares da educação, essas aprendizagens traduzem uma concepção integradora de educação, que pode ser aprimorada pela aplicação concreta em escolas e realidades locais”, conforme consta no caderno.

Essa mudança de cultura instiga os integrantes das escolas a repensar currículos e as maneiras de aprender e ensinar. Nesse sentido, a aprendizagem baseada na experiência de todos os atores envolvidos ganha força. Aprender Matemática por meio da criação de um projeto de financiamento coletivo para a concretização de uma iniciativa dos alunos faz com que a matéria tenha um significado maior, um contexto determinado e com que outras disciplinas, habilidades e competências sejam trabalhadas simultaneamente.

Diversas pesquisas sobre habilidades socioemocionais na educação têm sido feitas nos últimos anos por grupos como Partners for 21st Century Skills, Centro de Referências em Educação Integral e Série de Diálogos, apoiadas por organizações como Inspirare, Porvir e Instituto Ayrton Senna2. Um desses grupos, formado por psicólogos, desenvolveu uma vertente de estudo que defende a possibilidade de analisar a personalidade humana em cinco dimensões, conhecidas como Big Five: abertura a novas experiências, extroversão, amabilidade, consciência e estabilidade emocional.

Na reportagem do Caderno especial sobre Competências Socioemocionais, criado pelo Instituto Inspirare e pelo Instituto Ayrton Senna, entrevistou-se Oliver John. Ele é professor de psicologia na Universidade da Califórnia em Berkley e autor do The Big Five Personality Test, um dos principais testes de avaliação dos traços de personalidade. Segundo o estudioso: “É incrível que estudiosos do Brasil também encontrem as mesmas respostas. Isso significa que as pessoas podem trabalhar juntas em busca do que funciona, ao invés de ficar dizendo que isso é meu ou seu. Eu não sou dono da teoria dos Big Five e você não precisa me pagar royalties (compensações). Ela (teoria) funciona como um código aberto”.

Trabalhar com habilidades e competências tem impacto na aprendizagem e no desenvolvimento integral dos estudantes para ampliação da atuação na sociedade como cidadãos críticos e transformadores. O desenvolvimento de competências socioemocionais também “dialogam com as necessidades da sociedade civil, mobilizam famílias e contemplam seus anseios, suprem carências de oportunidades e geram impacto nos indicadores sociais”, segundo o documento Habilidades socioemocionais: questões conceituais e práticas, do Global Education Leaders’Program Brasil.

Você pode se aprofundar no assunto lendo o caderno Competências socioemocionais: material de discussão [ver nota 1], produzido pelo Instituto Ayrton Senna, e conferir experiências práticas nas escolas no portal especial3 criado pelo Instituto Inspirare em parceria com o Instituto Ayrton Senna.

Disponível em: <http://educacaosec21.org.br/wp-content/uploads/2013/07/COMPET%C3%8ANCIAS-SOCIOEMOCIONAIS_MATERIAL-DE-DISCUSS%C3%83O_IAS_v2.pdf>. Acesso em: 28 nov. 2016.

2 É possível saber mais sobre cada iniciativa em: <http://goo.gl/1UNhPe>. Acesso em: 28 nov. 2016.

3 Disponível em: <http://porvir.org/especiais/socioemocionais/>. Acesso em: 28 nov. 2016.

Caio Dib é criador do Caindo no Brasil. Ele adora trocar ideias e marcar cafés, então, entre em contato pelo www.facebook.com/caio.dib ou caiodib@caindonobrasil.com.br para continuar essa conversa.

 

Crédito da foto principal: Acieg – Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás

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