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Quem se preocupa demais consigo mesmo não terá tempo para mais ninguém

(Texto de Marcel Camargo, editado pela equipe de Contemporânea Brasil)

 

“[…] a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”. (John Donne)

Sim, é muito importante que cuidemos de nós mesmos, de nosso bem-estar, agindo em favor de nosso bem-estar quando a vida assim o pedir. No entanto, ninguém consegue ser feliz e completo somente pensando em si mesmo e em mais ninguém. Vivemos em sociedade, ou seja, deixar de enxergar o próximo acaba nos tornando incapazes de perceber a extensão de nossos atos.

Ninguém é uma ilha isolada, já dizia J. Donne, estamos todos interligados, de uma ou de outra forma, o que nos torna responsáveis pelo que acontece em nossas vidas e nas vidas que caminham conosco. Quem somente age visando aos próprios propósitos, sem refletir sobre as consequências de seus atos na vida dos outros, muito provavelmente acaba machucando pessoas pelo caminho. Se a única preocupação é a própria vida, as demais em nada importarão.

Mensagens visualizadas e não respondidas, recados não lidos, e.mails acumulados na caixa de entrada, aniversários esquecidos, palavras não ditas, afetos não correspondidos, tampouco demonstrados. O esquecimento e a consequente ignorância do outro aos poucos acaba nos afastando daquilo que deveria sempre ser mantido pertinho, porque então tudo se distancia da gente, tanto o que é ruim, quanto o que era essencial.

Pessoas narcisistas não param para pensar no outro, nem refletem sobre o mal que possam estar causando, caso seus desejos estejam sendo atendidos. Precisam, a todo custo, alcançar os seus objetivos, além de perderem tempo excessivo cuidando de si mesmas, da própria aparência, das próprias roupas, do próprio cabelo, das próprias dores. Gente assim não terá um segundo sequer, em sua agenda, para se voltar além do próprio umbigo. Apesar de que as pessoas podem mudar, e a vida se encarrega por si mesma de trazer as transformações necessárias que cabem a cada indivíduo vivenciar; cada um deve saber por que age de determinada maneira e como é calçar os próprios sapatos na estrada que percorre e nas escolhas que faz. A cada um cabe o julgamento dos próprios atos, e a mais ninguém.

Mas fato é que quem não se ama não será capaz de amar a ninguém mais, porém, quem somente enxerga a si mesmo pela frente, da mesma forma será incapaz de amar com verdade. Isso porque amor requer pousar os olhos nos terrenos alheios, com entrega, mas sem interferir e sem se intrometer demasiadamente nas escolhas e nos caminhos do outro. Amar é respeitar as escolhas do par e deixá-lo ser livre para ser quem é, amar o parceiro pelo que ele é, com todas as suas falhas e defeitos. Amor não é idealização, ou fazer da pessoa o que gostaríamos que ela fosse, a nossos olhos e vontades – amar é realidade, aceitação de si e do outro. Amar também requer renúncias, concessões, coisas que alguém centrado no próprio ego jamais será capaz de fazer. E todos merecemos um amor de verdade.

Marcel Camargo Silveira é professor licenciado em Letras e Mestre em História, Filosofia e Educação, pela Unicamp/SP. Leciona na Educação Básica e em cursos superiores, além de ser colunista nas empresas Conti Outra, Obvious, O Segredo, Resiliência Humana, A Soma de Todos os Afetos, Psiconlinebrasil, Vida em Equilíbrio, Covil da Discórdia, Contemporânea Brasil. Possui uma Fan Page no facebook, para acessá-la clique aqui.

Crédito da foto de capa: Prazis Images/Shutterstock

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