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Por incrível que pareça, pessoas sensíveis são mais fortes

(Texto de Marcel Camargo)

Uma das confusões que trazem danos ao convívio social, aos relacionamentos em geral e ao nosso aprimoramento pessoal vem a ser a falsa ideia de que, para ser forte, uma pessoa deve ser fria, distanciando-se de atitudes que demonstrem sensibilidade. Ou seja, somos, sob essa ótica, levados a evitar lágrimas, tristeza, compaixão, carinho, como se a afetividade nos tornasse mais fracos e mais sujeitos às decepções com as pessoas, com a vida.

É lógico que precisaremos manter o equilíbrio interior em ordem, uma vez que a qualquer tempo poderemos levar um daqueles tombos que costumam pontuar a nossa trajetória. No entanto, não é preciso robotizar-se, despir-se de humanidade, para que se consiga atravessar as tempestades da vida sem sucumbir de todo. Tornar-se alguém frio e insensível não significa necessariamente se tornar uma pessoa que dura mais.

A sensibilidade, ao contrário do que muitos pensam, é extremamente importante ao nosso amadurecimento e à evolução de nossos passos. Quando nos sensibilizamos com a dor alheia, até mesmo ajudando o próximo a sair de suas escuridões, acabamos entrando em contato com acontecimentos dolorosos e, embora não estejamos inseridos neles, essas experiências nos ajudarão a lidar com a dor quando chegar a nossa vez.

Da mesma forma, sair de nós mesmos, enxergando as necessidades do outro, para além de nosso próprio umbigo, leva-nos ao entendimento de outras realidades que não as nossas, à compreensão de que cada pessoa possui suas próprias experiências e passou por lugares onde jamais estivemos. Isso nos amadurece, pois evita-nos os julgamentos preconcebidos sobre quem mal conhecemos.

O desenvolvimento da empatia que a sensibilidade traz também nos leva a ser capazes de enxergar a nós mesmos com os olhos do outro, pois então conseguiremos nos colocar no lugar das pessoas que convivem conosco, percebendo que muito do que recebemos de fora é consequência direta daquilo que nós fazemos, da forma como agimos e tratamos as pessoas à nossa volta. Assim é que conseguiremos nos transformar em alguém melhor, alguém que age pensando não somente em si mesmo.

Pessoas sensíveis, como se vê, fortalecem-se porque não escondem o que sentem, o que são; por isso mesmo, cercam-se de afetividade, de sentimentos puros, de gente que fica com verdade, tornando sua vida mais rica e especial. Não escondem as lágrimas, não se fecham aos encontros mágicos que a vida proporciona, não hesitam em ajudar o próximo, rodeando-se de sorrisos alentadores e mãos que afagam a alma. Isso, sim, fortalece e ampara o caminhar seguro ao encontro da felicidade.

 Marcel Camargo Silveira é professor licenciado em Letras e Mestre em História, Filosofia e Educação, pela Unicamp/SP. Leciona na Educação Básica e em cursos superiores, além de ser colunista nas empresas Conti Outra, Obvious, O Segredo, Resiliência Humana, A Soma de Todos os Afetos, Psiconlinebrasil, Vida em Equilíbrio, Covil da Discórdia, Contemporânea Brasil. Possui uma Fan Page no facebook, para acessá-la clique aqui

Crédito da foto de destaque: Sjale/Shutterstock

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