Persistência ou teimosia?

(Texto de Josie Conti)

Persistência e resiliência caminham juntas. Se não houver resiliência, o que existe é teimosia.

Persistência e teimosia não são sinônimos. A maior diferença entre elas é que as pessoas persistentes são altamente adaptáveis quando buscam meios para atingir seus objetivos. Já os teimosos tendem a manter pensamentos e ideias fixos, sendo reativos a mudanças e ajustes, mesmo quando sabem que estão errados. Ou seja, enquanto na persistência existe humildade, para aprender e mudar com os erros visando alcançar uma meta, na teimosia existe orgulho e, até mesmo, birra, diante de qualquer contrariedade.

Uma pessoa persistente diria: “Continuarei com a minha empresa, apesar dos prejuízos do último semestre, porque sei que ela tem potencial para se erguer depois que fizermos alguns ajustes”.

Uma pessoa teimosa diria: “Eu não me importo com os prejuízos. Se não for do meu jeito, a coisa não funciona. Sempre fiz assim e continuarei fazendo, até morrer”.

Todos nós podemos oscilar entre a teimosia e a persistência, dependendo do assunto e da maturidade para lidar com cada área de nossas vidas. Podemos, por exemplo, ser flexíveis no trabalho e teimosos em nossa vida amorosa ou vice-versa.

Mas, como saber quando estamos sendo persistentes ou quando estamos sendo apenas teimosos?

A resposta é: vale persistir onde você consegue, a médio e longo prazos, visualizar perspectivas de melhora.

Digamos que você esteja em um relacionamento difícil, no qual as brigas sejam constantes e não exista mais respeito. Você consegue imaginar, dentro de dois anos, uma real mudança dessa situação?

Outro exemplo: pessoas que trabalham no funcionalismo público e têm cargos e salários fixos. Algumas dessas pessoas não estão contentes com o ambiente de trabalho. Outras não estão felizes com o seu salário. Os dois grupos reclamam, entretanto, enquanto as pessoas que estão infelizes com o ambiente de trabalho podem tentar melhorar a situação sendo persistentes, as que estão insatisfeitas com o salário, se permanecerem como estão, reclamarão para sempre, sem mudanças. A única solução, nesse caso, passaria por mudanças de cargo, emprego, jornadas duplas. Apenas reclamar, sem ação, só indicaria teimosia em permanecer colhendo frutos de uma escolha antiga e que nunca daria os resultados esperados. Um indicativo de maturidade, nesse caso, seria persistir em seu emprego atual para manter a renda necessária e, ao mesmo tempo, investir em um plano paralelo para arrumar um novo trabalho, passar em um concurso diferente, mudar de área por meio de uma nova faculdade, e assim por diante.

A persistência acompanha a adaptação e a mudança. A teimosia em não buscar mudanças paralisa, destrói a capacidade criativa e, gradativamente, mina a autoestima e o otimismo, pela maneira cíclica com que a pessoa permanece girando no mesmo estado que lhe traz sofrimento.

Embora listar exemplos e diferenciar persistência de teimosia tornem o entendimento didático, às vezes, levamos meses e, até anos, para perceber e entender que algumas escolhas não estão sendo positivas em nossas vidas.

Para que desenvolvamos experiência de vida, na maioria das vezes, trilharemos caminhos inóspitos e teremos que desbravar selvas que vivem dentro de nossas próprias escolhas. O termômetro para nossas mudanças deve ser a percepção e análise que temos em relação aos nossos sentimentos: O que eu tenho feito hoje me traz mais alegrias que tristezas? Eu apenas tolero meu casamento? Os momentos mais felizes do meu trabalho são as férias?

As respostas a essas perguntas dirão se é hora de mudar posturas ou se ainda é tempo de persistir. O sentimento de imobilidade será o indicativo de que você pode precisar da ajuda de um profissional da área de saúde mental ou mesmo de um coaching de carreira.

Afinal, como é propagado pelo conhecimento popular: “Você não pode continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”

 Josie Conti é blogueira e empresária. Após trabalhar por muitos anos como psicóloga, abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais. Hoje, conjuntamente com sua equipe, trabalha prioritariamente na internet, na administração funcional, editorial e publicitária de redes sociais e sites como CONTI outra, A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil, além de várias outras fan pages que totalizam cerca de 8.5 milhões de usuários.

Crédito da foto de capa: Creativa Images/Shutterstock

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