Oops! It appears that you have disabled your Javascript. In order for you to see this page as it is meant to appear, we ask that you please re-enable your Javascript!

Pérolas humanas

(Texto de Ivonete Lucirio)

Nada aumenta mais a autoestima do que se sentir bonita. Integrantes do Projeto Pérolas se apoiam nessa crença ao realizar ensaios fotográficos com mulheres que tiveram câncer de mama. A Contemporânea Brasil apoia essa causa.

Estar doente suga as energias. Pior ainda quando a doença ataca de forma tão cruel uma parte do corpo próxima do coração, tão cara à feminilidade como as mamas. Esse tipo de doença deixou há tempos de ser uma sentença de morte e são muitas as iniciativas que permitem à mulher continuar a se sentir bonita, sexy, completa. Uma dessas iniciativas é o Projeto Pérolas. Criado em 2013 pela produtora e diretora de arte carioca Mel Masoni, o projeto resgata a autoestima de mulheres diagnosticadas com câncer por meio da fotografia.

Os ensaios fotográficos com essas mulheres são feitos por voluntários. São fotógrafos, maquiadores e videomakers que se unem para proporcionar às mulheres um dia divertido, fotos lindas e momentos de muito prazer. “Não há uma equipe fixa, os profissionais são sempre diferentes”, diz Mel Masoni. “Dessa forma, muitas pessoas têm a oportunidade de passar pela experiência de estar em contato com essas mulheres, que têm tanto a ensinar sobre gratidão, força, fé e resiliência. Além disso, o fato de os profissionais serem diferentes em cada ensaio permite acumular um vasto material para as exposições fotográficas que realizamos”, explica Mel.

A motivação de Mel para criar o Pérolas foi o contato com uma mulher que havia retirado ambas as mamas. “Ela era linda, inteligente e, apesar disso, sentia-se sem propósito”, conta Mel. Na época, ela estava pesquisando sobre a autoestima feminina e ficou interessada em saber como era essa questão para mulheres que haviam enfrentado o câncer. Conversou com várias mulheres diagnosticadas e acabou por se apaixonar pela história delas. “Percebi que, além dos medicamentos, da quimio e da rádio, a mulher precisava de ajuda emocional, que nem sempre estava disponível”, conta ela.

As participantes passam horas para serem produzidas, maquiadas, fotografadas e dão seu depoimento. “Tudo para que cada mulher recebida pelo Projeto volte a se amar”, diz Mel.  Mais de 35 mulheres já foram fotografadas e os resultados – lindíssimos – podem ser conferidos no site Projeto Pérolas. É possível ver as fotos e um pouco da histórias das pessoas retratadas. Para participar do projeto, a mulher deve ter sido diagnosticada com câncer de mama e estar com a autoestima abalada. Elas saem do ensaio muito mais fortalecidas, entusiasmadas e felizes (veja o depoimento de Shirley, uma das participantes). O contato pode ser feito por e-mail:  contato@projetoperolas.com.br .

(Depoimento de Shirley)

Melhor do que antes

“Em 2012 senti pela primeira vez um caroço em meu seio. Passei por vários médicos, que diziam ser apenas um cisto, eu era muito nova. Finalmente, em 2014, fui diagnosticada com um tumor que já tinha 7 centímetros. Foi muito sofrido. Eu era fisiculturista, tinha uma clínica de estética, e o que aconteceu durante o tratamento minou minha autoestima. Para piorar, tive problemas com a radioterapia e fiquei muito inchada. Foi quando conheci a Mel e o Projeto Pérolas. Foi maravilhoso! Depois do ensaio, me senti muito mais fortalecida. Voltei a me sentir mulher, bonita. Hoje, recuperada, dedico um dia por semana para ajudar mulheres com os mais diferentes tipos de câncer. Converso, dou palestras. Quero mostrar que a doença está muito longe de ser uma sentença de morte, que podemos até sair fortalecida dela. Eu sou um exemplo disso. Antes de adoecer, sofria de depressão, tomava medicamentos. Hoje me curei disso também. Quero mais é viver”.

(Shirley Ferreira, 40 anos).

©Projeto Pérolas

Tem cura, sim

O diagnóstico de câncer de mama é como uma facada no peito. Dói, assusta, tira o chão.  Mais de 50 mil mulheres passam por esse momento difícil todos os anos no Brasil. No mundo, são cerca de 1,3 milhão de casos. Por mais dolorido que seja, está bem longe de uma sentença de morte como costumava ser décadas atrás. Hoje, a chance de cura ultrapassa 90%, principalmente se o tumor for pequeno e detectado logo de início. A medicina avançou bastante, os exames são mais precisos para detectar a doença em estágio inicial, e os tratamentos, mais certeiros. Por isso, com fé na medicina e, acima de tudo, em si mesma, é possível superar a doença e sair dela fortalecida.

 Ivonete Lucirio, jornalista que adora escrever para revistas – digitais ou impressas. Escreve artigos para várias publicações de circulação nacional, é autora de livros paradidáticos, e já ministrou oficinas de escrita criativa.

Crédito da imagem de capa: Frikota/Shutterstock

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *