Os caminhos para a liderança

(Texto de Fernanda Schiesari)

Liderar uma equipe nos dias atuais é uma tarefa multidisciplinar e que requer muita preparação pessoal. Teoricamente, o líder é o condutor, o guia, aquele que comanda. Liderar, no entanto, está muito além de conduzir ou comandar. Liderar é ter uma visão global (daí a tarefa multidisciplinar), holística, da relação entre o ser humano e o seu ambiente de trabalho. A principal atividade de um gestor ou líder é conduzir pessoas de maneira que elas possam oferecer o seu máximo. Ou seja, lidar com pessoas que têm pensamentos, ações, formações, personalidades e estilos diversos e, mesmo assim, conseguir obter os melhores resultados. Em relação à preparação pessoal, o autoconhecimento é fundamental para que fragilidades e fortalezas sejam administradas eficientemente, sem perder o foco. O líder deve estar preparado para exercer sua capacidade de persuasão, argumentação e carisma. Liderar não é uma tarefa simples, ao contrário, exige paciência, disciplina, humildade, respeito e compromisso, pois a empresa é um organismo vivo, dotado de colaboradores dos mais diferentes tipos. E, ainda, não podemos nos esquecer de que a função do líder é também formar novos líderes.

Uma pessoa pode iniciar sua preparação para ser líder, mesmo antes de ter algum posto elevado na empresa. John C. Maxwell, em seu livro O líder 360°, afirma que 99% da liderança não acontece no topo, mas no escalão médio de uma organização. Esse fato motiva muitas pessoas a iniciar a preparação e a atuação como líder e rompe com mitos de que a liderança só se inicia quando se chega ao topo. As empresas de ponta, por exemplo, buscam perfis de liderança que são preparados desde o início da carreira, como em programas de trainee.

A meu ver, a melhor maneira de iniciar a trajetória rumo à liderança é o autoconhecimento. Recentemente, participei de um curso para avaliar e entender a personalidade, por meio do método de Myers-Briggs Type Indicator® (MBTI®). Nesse método, a identificação e a descrição de 16 tipos de personalidade são feitas com base em interações entre as preferências pessoais (como o foco no mundo externo ou interno), a busca por informações (por meio do sentimento ou da intuição), a preferência nas tomadas de decisão (por meio de fatos ou com base na sensibilidade) e, por fim, as preferências para se relacionar com o mundo externo (julgamento e percepção). A partir disso, a pessoa pode avaliar o seu tipo de personalidade e identificar os seus pontos fortes e fracos, listando o que poderá ser aprimorado para desempenhar melhor qualquer tipo de função, em especial, a função de líder. Para ajudar, listo a seguir alguns estilos de liderança, conforme descrito em um portal de RH:

Liderança Autocrática: estilo de liderança focado apenas nas tarefas, e suas decisões costumam ser tomadas isoladamente, sem a participação dos colaboradores.

Liderança Democrática: estilo de liderança que envolve a participação das pessoas nos processos decisórios.

Liderança Liberal: estilo de liderança que deixa as pessoas à vontade para realizar as tarefas e os projetos por acreditar que a equipe já é madura o suficiente e não precisa de supervisão constante. Pode acarretar uma liderança negligente e fraca, pois o líder deixa passar falhas e erros sem perceber e, consequentemente, não os corrige.

Liderança Paternalista: é um tipo de liderança muito perigoso, porque a relação entre o líder e os liderados é algo similar à relação entre pai e filho. As relações interpessoais são muito fortes, o que pode até ser confortável para os liderados, mas pode trazer sérios riscos à estabilidade e ao desempenho da empresa, visto que em uma relação profissional o equilíbrio deve sempre prevalecer.

Crédito: Palto/Shutterstock

Podemos reconhecer também alguns tipos de líderes:

Líder Técnico: as pessoas depositam muita confiança nele e se sentem seguras por ele apresentar um alto nível de conhecimento técnico-científico nos assuntos cotidianos do trabalho. É o tipo de pessoa que sabe os caminhos para executar os processos e atingir metas e objetivos planejados. Nos momentos mais complicados, sabe resolver.

Líder Carismático: consolida a liderança no grupo por estar sempre alegre e de bom humor, na hora certa, no lugar certo, e por deixar o ambiente mais leve. Todos (ou quase todos) na empresa têm apreço por ele. Exerce grande influência, gera um ambiente agradável, que faz as pessoas trabalharem com mais entusiasmo e descontraídas, obtendo-se resultados mais elevados.

Líder Motivador: consegue estimular os colegas a seguir em frente na busca pelos resultados almejados pela empresa. Quando as coisas saem do eixo, ele consegue atrair a atenção da equipe e transmitir uma mensagem positiva e a confiança de que o trabalho vai dar certo, mesmo em momentos críticos. Muitas vezes, consegue encontrar uma saída para os problemas, pois costuma ser perspicaz.

De acordo com John C. Maxwell, em seu livro Good Leaders Ask Great Questions, parte da preparação para se tornar um bom líder é se fazer boas perguntas. Para ele, um líder deve permitir que outras pessoas lhe façam perguntas difíceis e importantes. Deve chamar a responsabilidade para si e ser proativo em se autoquestionar. Algumas perguntas que podem ser feitas a si mesmo:

  1. Estou investindo em mim mesmo? Uma questão de crescimento pessoal.
  2. Estou genuinamente interessado nas pessoas? Uma questão de motivação.
  3. Tenho base para ser um grande líder? Uma questão de estabilidade.
  4. Estou agregando valor ao meu time? Uma questão de trabalho em equipe.
  5. Estou enfatizando as minhas forças? Uma questão de eficiência.
  6. Estou cuidando do presente? Uma questão de sucesso.
  7. Estou investindo meu tempo nas pessoas corretas? Uma questão de retorno sobre o investimento.

Em relação aos membros do time, o autor ainda afirma que o líder não deve apenas fazer as perguntas inteligentes ao time, mas escutar realmente o que eles têm a  dizer. Os grandes líderes fazem perguntas que inspiram os outros a sonhar mais, pensar mais, aprender mais, fazer mais e tornar-se melhor, técnica e humanamente.

Por fim, para o autor, os desafios que os líderes enfrentam são muitos. Em seu livro O líder 360°, Maxwell cita alguns dos principais desafios de um líder:

  1. O desafio da Tensão: a pressão de ser surpreendido no escalão médio.
  2. O desafio da Frustração: quando se tem para seguir um líder ineficiente.
  3. O desafio dos muitos Chapéus: Uma cabeça… diferentes trabalhos ao mesmo tempo.
  4. O desafio do Ego: você, muitas vezes, está escondido no escalão médio.
  5. O desafio da Realização: os líderes gostam mais de estar na frente do que no escalão médio.
  6. O desafio da Visão: patrocinar a visão é mais difícil quando não foi você que a criou.
  7. O desafio da Influência: liderar quem está acima de sua posição é uma tarefa desafiadora.

Eu ainda adiciono dois desafios: o desafio da Conduta e o desafio da Crise econômica.

O desafio da Conduta envolve o caráter. Falhas podem acontecer, pois somos todos seres humanos. Mas é muito importante que alguns requisitos sejam atendidos, como não ser pedante, antipático, megalomaníaco, instável, reclamão, egoísta e precipitado.

Já o desafio da Crise econômica está na pauta cotidiana atualmente, pois é considerada uma das piores já vistas em nosso país. O principal fator de desgaste para o líder nesse contexto é que a empresa deve ser mantida em um patamar financeiro saudável, e as equipes devem ser elevadas a um grau de motivação acima do que a realidade proporciona. Talvez, nesses momentos, a diferença esteja em focar nas oportunidades criadas com a crise. As empresas podem enxugar e cortar gastos desnecessários, que às vezes não eram feitos por pura comodidade; as metas podem não ser atingidas da maneira previamente proposta, e sim, por meio de desvios implantados para compensar as perdas. São ações geradoras de aprendizados para a equipe; passado o momento de turbulência, todos se beneficiam por ter focado nas oportunidades e em estratégias de superação e, assim, tornam-se mais fortalecidas.

Portanto, liderar é uma habilidade que se desenvolve em uma longa trajetória. Não há líder pronto. Não há líder que não aprenda. Acredito que não há líder perfeito. Cada pessoa tem um estilo e vai moldando e desenvolvendo suas habilidades de acordo com as necessidades. Bom é estar sempre buscando informações para que este longo caminho seja percorrido de maneira leve e equilibrada.

Fontes de referência:

(Datas de acesso: 8 ago. 2016).

Leituras recomendadas:

  • Good Leaders Ask Great Questions – Your Foundation For Successful Leadership, de John C. Maxwell.
  • O líder 360º, de John C. Maxwell.

 Texto de Fernanda Schiesari, paulistana, graduada em Engenharia Química pela Escola Politécnica da USP. Trabalha na indústria química de base e especialidades desde 1998, focando sua atuação na área de suprimentos. Entre 2006 e 2011, trabalhou em Muttenz (Suíça), como compradora global. Em 2013, assumiu a gerência de compras da América Latina na Archroma. É casada e atualmente vive em São Paulo.

Crédito da foto principal: ConstantinosZ/Shutterstock

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