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O multiartista Solano Trindade

(Texto de Graça Sette)

Francisco Solano Trindade – poeta, dramaturgo, ator de teatro e de cinema, artista plástico, folclorista, multiartista – nasceu em 1908, em Recife, e faleceu em 1974, no Rio de Janeiro.

Entre 1930 e 1960, teve papel relevante na cena cultural brasileira. É um ícone da literatura afro-brasileira do século XX, mas ainda pouco conhecido dos nossos leitores.

Apesar de não estar incluso entre os expoentes do Modernismo brasileiro (como seus conterrâneos Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto), sua obra apresenta traços da estética modernista. Esse apagamento injustificável pode ser atribuído à sua militância como poeta negro e popular.

Como ativista, participou da criação do Movimento Negro, da organização do 1º. Congresso Afro-brasileiro, em 1934, em Recife, e do segundo, em 1936, em Salvador. Fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-Brasileiro, também no Recife. Combateu o racismo e lutou pela inclusão política, social e cultural dos afrodescendentes.

Em seus livros Poemas negros (1936); Poemas de uma vida simples (1944); Seis tempos de poesia (1958) e Cantares ao meu povo (1961), Solano reafirma suas raízes ancestrais africanas e nega as formas estereotipadas de representação do negro, presentes na literatura brasileira de seu tempo.

Sua voz poética denunciou a fome, nessa paródia de “Trem de Ferro”, de Manuel Bandeira:

Trem sujo da Leopoldina/ correndo, correndo/ parece dizer/ tem gente com fome/ tem gente com fome/ tem gente com fome…”.

Por causa desse poema, em 1944, foi preso. E teve o livro Poemas de uma vida simples censurado e recolhido.

Ao denunciar o modelo escravagista, Solano também exaltou as raízes ancestrais de seu povo:

Sou negro/ meus avós foram queimados pelo sol da África/ minh’alma recebeu o batismo dos tambores, atabaques, agogôs/ Contaram-me que meus avós vieram de Loanda/ como mercadoria de baixo preço/ plantaram cana pro senhor de engenho novo/ e fundaram o Maracatu…”.

E, ainda, Solano Trindade criou grupos artísticos, como o TEM (Teatro Experimental do Negro) e o TPB (Teatro Popular Brasileiro) – este último que se apresentou na Europa. Foi o primeiro brasileiro a encenar a peça Orfeu, de Vinícius de Morais, em 1956.

O Brasil precisa conhecer as várias obras, as multifaces, as multivárias artes desse artista único: Solano Trindade.

 

Ouça:

— Tem gente com fome, cantada por Nei Matogrosso. Letra: Solano Trindade. Música: João Ricardo. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=I5FUX3e089I>. Acesso em: 30 jan. 2017.

Leia as obras do autor:

— Poemas Antológicos. Ilustração: Raquel Trindade. Editora Nova Alexandria.

— Tem gente com fome. Adaptado para o público infanto-juvenil. Editora Nova Alexandria.

— O poeta do povo. Ediouro.

 Graça Sette, antes de tudo, é uma leitora apaixonada. Mineira de Guanhães, mora em Belo Horizonte desde a década de 1970. É professora, escritora (“sempre aprendiz”, como gosta de dizer) e coautora de várias obras paradidáticas e didáticas. Entre elas, destacam-se: Trilhas e Tramas (Ensino Médio, LeYa, 2016); Marcha Criança – Produção de Textos (EF1, Somos Educação, 2016); Português: linguagens em conexão (Ensino Médio, Leya, aprovada no PNLD-2015/MEC); Para ler o mundo (Português, Ensino Médio, Scipione, 2010); Para ler a Gramática (Lê, 2005); Transversais do mundo – leituras de um tempo (Lê, 1999, crônicas).

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