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Mãe a qualquer hora

Aumenta o número de mulheres que decidem adiar o momento de ter um filho. E também as tecnologias que permitem concretizar o sonho da maternidade tardia.

(Texto de Ivonete Lucirio)

                Não se engane com o título deste texto. O corpo da mulher foi programado para ter filhos em uma determinada faixa de idade, que vai principalmente dos 17 aos 30 anos. É nesse período que os óvulos liberados pelo organismo são mais saudáveis, e o corpo está mais bem preparado para acolher o desenvolvimento do bebê. Mas isso não significa que depois dos 30, 40 ou até 50 a gravidez não seja mais possível. A ciência avança a cada dia para permitir que o sonho de ser mãe tardiamente se torne possível. Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que o aumento no número de grávidas acima do 40 anos cresceu 18% de 2003 para 2012. Parte delas, muito provavelmente, engravidou de forma natural. Mas muitas precisaram de um ajuda da ciência para concretizar esse sonho. Conheça as técnicas disponíveis:

  • Inseminação artificial: pode ser usada para contornar diversos problemas de infertilidade, mesmo os não associados à idade. A indicação principal é para pacientes de até 38 anos. O sêmen é colhido e passa por processos que permitem aumentar a concentração de espermatozoides. Enquanto isso, a mulher recebe medicamentos que estimulam o funcionamento dos ovários. O sêmen é, então, injetado dentro do útero. O que há de mais moderno nessa técnica é a inseminação dupla. “Antigamente, a injeção do esperma acontecia 36 horas depois de a mulher receber medicamentos estimulantes para os ovários. Na atualidade, fazemos duas injeções, uma com 24 e outra com 36 horas, aumentando a exposição dos óvulos aos espermatozoides”, explica Edilberto de Araújo Filho, diretor do Centro de Reprodução Humana de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. A taxa de gravidez por tentativa varia de 15 a 35%.
  • Fertilização in vitro: a técnica consiste em coletar óvulos da mulher, selecionar os mais saudáveis e fertilizá-los com os espermatozoides. A fecundação é feita fora do organismo, em laboratório, resultando em vários embriões. Mais uma vez, selecionam-se os mais saudáveis para serem injetados no útero e se desenvolver. A chance de sucesso é de 35 a 50% por tentativa. “Quando a fertilização in vitro com óvulos próprios não traz sucesso, há duas opções. A técnica pode ser repetida com óvulos doados ou mesmo com a doação de embriões já formados. Dessa forma, a chance de sucesso é a mesma de uma mulher jovem”, explica a especialista em reprodução humana Alessandra Kostolias, da Clínica Origem, no Rio de Janeiro.

Crédito: Ideya/Shutterstock

  • Congelamento de óvulos: a principal dificuldade em engravidar depois dos 40 anos é que, nessa idade, já existem poucos óvulos saudáveis no organismo feminino. As mulheres nascem com todos os óvulos que liberarão pela vida. A cada ciclo, o estoque fica menor e a qualidade, mais comprometida. A perda da qualidade ovular influencia no aumento das taxas de abortamento e malformações que, até os 35 anos, gira por volta de 9%, subindo para 33% ou até 50% acima dos 40 anos. Então, uma boa ideia é retirar os óvulos antes dos 30 anos e congelá-los para a fecundação posterior, in vitro. “O congelamento deve ser feito até os 37 anos e a gravidez pode ocorrer em qualquer idade, se a mulher estiver saudável”, explica Edilberto.

O futuro

Uma das técnicas mais recentes para possibilitar uma gestação é o transplante de útero. Por ser experimental, ainda não está disponível em clínicas e hospitais. É indicada para pacientes que não têm mais o útero para sustentar a gravidez. “O caso mais recente de sucesso foi o nascimento de um bebê na Suécia, em 2012”, conta Alessandra. Em 2016, houve uma tentativa em Cleveland, nos Estados Unidos. Mas foi preciso remover o útero logo depois da cirurgia. Vários outros estudos serão necessários para aprimorar a técnica e para reduzir a necessidade do uso de medicamentos anti-rejeição, que poderiam inviabilizar a gravidez.

Ivonete Lucirio, jornalista que adora escrever para revistas – digitais ou impressas. Escreve artigos para várias publicações de circulação nacional, é autora de livros paradidáticos e já ministrou oficinas de escrita criativa.

Crédito da imagem de destaque: Maxim Gaigul/Shutterstock

 

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