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Férias dignificam homens, mulheres e crianças

(Texto de Carmen Benedetti)

Por que será que muitas pessoas enchem a boca ao dizer que nunca tiram férias? O que as leva a pensar que tirar férias é quase um pecado capital e que, para serem usufruídas, precisam ser acompanhadas de uma justificativa: estou saindo de férias porque esse foi um ano muito difícil, cansativo …?

A máxima que profere que o trabalho dignifica o homem é perigosa porque pode trazer em si a ideia de que a falta dele nos torna menos dignos.

É preciso tirar férias. Vários estudos mostram os benefícios de aproveitá-las e indicam que o desligamento das atividades profissionais traz vantagens até mesmo para a vida profissional: ou seja, se nos desligarmos do trabalho, certamente voltaremos a ele mais energizados. Mas não é só isso. As férias possibilitam que tomemos distância de problemas e esse deslocamento faz com que, muitas vezes, ao nos reaproximarmos deles, enxerguemos soluções que pareciam impossíveis de serem obtidas.

Certa vez, durante umas férias no Pantanal, um senhor de 82 anos, muito bem-sucedido, me disse: “Aprenda uma coisa: ninguém fica milionário sem tirar férias. Pode ficar rico, mas milionário não fica. Então, mesmo os que buscam desesperadamente valor pessoal por meio do trabalho, sucesso e crescimento financeiro deveriam tirar férias”.

E digo mais. Férias curtinhas não são férias. O cérebro humano não funciona bem ao se proporcionar pouco tempo de descanso, precisa de tempo para se desligar. Então, esse papo de “vou parar uma semaninha” pode ser bom para dormir até mais tarde ou se bronzear um pouco, mas o descanso mesmo, aquele necessário para colocarmos a vida em perspectiva, não é conseguido com uma semaninha na praia. São necessários pelo menos dez dias contínuos de desligamento (incluindo o não acesso a e-mails e whatsapps) para o descanso realmente ocorrer e todos os benefícios das férias serem obtidos, porque a mente precisa de um tempo para desacelerar para depois descansar.

Além disso, férias boas são férias com liberdade de escolha. Agendas rígidas, corre-corre do parque da Disney para o outlet podem ser legais, dão a sensação de aproveitar o tempo, mas dificilmente vão ajudar a descansar de fato.

Usar as férias para arrumar gavetas, pôr as consultas médicas em dia ou reformar a casa também não é uma boa pedida. Essas tarefas podem ser contempladas na rotina diária, para quando chegarem as férias elas serem realmente aproveitadas e se tornarem, de fato, um momento de descanso e de contato consigo mesmo, um momento para pôr a vida em perspectiva.

Descansar é fundamental. Pessoas que não descansam se tornam mais irritadiças e, a longo prazo, mais deprimidas. A literatura científica é farta  ao revelar que o estresse causa inúmeros prejuízos à saúde. Sem descanso, as pessoas podem vir a ter menos disponibilidade para relações mais íntimas e, sem elas, a vida fica sem brilho, sem sentido, mesmo que o bolso esteja repleto de dinheiro.

Carmen Benedetti é graduada em Psicologia pela PUC-SP, formada em Psicodrama pela Escola Paulista de Psicodrama e doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Atualmente é coordenadora projetos educacionais do Estúdio Bogari Produção Editorial Ltda. e psicóloga clínica em consultório particular, atendendo adultos e adolescentes em regime individual, grupal e de casal.

 

 Ilustração de destaque de Carlos Asanuma, mais conhecido por Asa. Trabalhou muitos anos em editora de livros didáticos, como Editor de arte, e agora dedica seu tempo ao desenho. Desenha desde criança. Ilustrou para revistas, jornais, publicações empresariais e livros didáticos. Além de desenhar, curte muito fotografia; adora fotografar insetos.

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