Eu quero é ter sucesso!

(Texto de Ivonete Lucirio)

Mas o que é sucesso mesmo? Cada pessoa cria sua definição, que varia de acordo com os desejos, o período da vida e até com a fase histórica.

Aparentemente, o exemplo mais emblemático do sucesso é um ouro olímpico. Que prova maior pode existir de que o atleta que atingiu a excelência? Mas, decididamente, as aparências são apenas aparências. Mesmo com mais de uma dezena de medalhas na coleção, o nadador americano Michael Pelps pensou em suicídio em 2014 depois de enveredar pelo mundo das drogas. São muitas as lições que se pode tirar dessa história, uma entre muitas de pessoas aparentemente bem-sucedidas, mas infelizes.

O nadador Michael Phelps, norte-americano recordista de medalhas olímpicas. Crédito: Wikipedia – (Fernando Frazão/Agência Brasil)

A primeira lição talvez seja: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, como diz a música de Caetano Veloso. Muitas vezes, a pessoa apresenta, de forma deliberada ou mesmo sem querer, uma imagem de que sua vida é o máximo. Mas o que se passa nos bastidores – muitas vezes escondido até dos amigos – revela que a coisa não é bem assim. O pior é quando a pessoa passa a acreditar tanto que seu sucesso está atrelado à imagem que projeta que acaba por sacrificar sua essência, aquilo que realmente queria e o que importa de fato para ela.

A segunda lição que se pode tirar é: o sucesso tem um significado próprio, individual, não tem a mesma concepção para todos. “Cada um tem características pessoais desde o nascimento, vive experiências únicas na sua família, nos grupos sociais que frequenta”, diz Lana Harari, psicóloga de São Paulo. “É com base nesse conjunto de elementos que cada um molda seus desejos. Então, como os desejos são individuais, o sucesso também varia de pessoa para pessoa”, completa ela. Uma mulher que escolhe se dedicar aos filhos pode se sentir muito mais bem-sucedida do que uma alta-executiva – que recebe um salário polpudo e obtém status e reconhecimento, mas, de outro lado, precisa reduzir os investimentos em sua vida pessoal. Ou não. Tudo depende do que cada pessoa deseja para si.

Daí vem a terceira lição: o conceito de sucesso muda de um momento para outro da vida. Trata-se de um processo contínuo. Não dá para pensar que, ao atingi-lo, é possível sentar-se e desfrutar dele para o resto da vida. Da mesma forma, a falha e os tropeços não são uma condição permanente. Ter se dado mal em algum momento da vida não significa que essa situação vai perdurar para sempre, muito menos isso é indicativo de fracasso.

Finalmente, se o que é ser bem-sucedida varia no decorrer da vida da pessoa, muda também de um período histórico para outro. Durante décadas, ser bem-sucedido foi medido pelo tamanho da família. Depois, o diferencial passou a ser o trabalho. O senso comum pode nos levar a pensar que, na atualidade, o sucesso está na mistura desses dois aspectos da vida. Mas essa equação não é tão simples. “Vai depender da sociedade, da família e da cultura na qual o indivíduo vive. Esses fatores influenciam demais como a pessoa se percebe”, explica Ana Paula Cuoccolo Machia, neuropsicóloga do Instituto Ideia, em São Bernardo, SP.

Mas talvez a lição mais importante que se deve tirar do caso de Pelps e de outros semelhantes é a de que sucesso não é um enlatado que você vai e pega na prateleira. É preciso primeiro olhar para dentro de si e buscar o que é sucesso na própria essência, não no que é ditado pelas normas da sociedade. Para ter um sucesso genuíno, é preciso:

  • “Definir para si mesma o que almeja na vida”, diz a psicóloga e escritora Olga Tessari, autora do site olgatessari.com. Conseguir obter o que deseja para si mesmo na vida é a melhor medida e definição de sucesso.
  • Saber que não existe o sucesso absoluto. É possível ser bem-sucedida em uma área da vida e, em outra, ainda não. Assim como o sucesso pode ocorrer predominantemente em uma fase, mas decair em outra.
  • Não absorver ideias de sucesso de outras pessoas. Nem se espelhar na vida alheia.
  • Controlar a inveja. A meia do outro nem sempre fica tão confortável nos nossos pés. “As pesquisas mostram que invejamos as pessoas mais próximas de nós. Ninguém tem inveja da rainha Elizabeth”, diz o filósofo inglês Allain de Botton, durante sua apresentação no TED, ciclo de palestras gravadas e postadas na internet.

E, de repente, você já tem sucesso e nem se deu conta disso. Você tem sucesso se:

  • sabe que não é o centro do universo. Colocar-se em uma posição central acaba por gerar frustração, muita expectativa e dependência constante da aprovação dos outros.
  • mantém-se positiva. Ao enxergar que sempre há algo de bom em nossa vida ou em um determinado acontecimento, é possível rodar as engrenagens para que tudo funcione.
  • pede ajuda, porque isso significa não se considerar autossuficiente em tudo, além de aumentar a chance de conseguir o que se almeja.
  • deixa de dar tanto valor para o que os outros pensam e sabe o que é o seu desejo genuíno.
  • aceita que é impossível conseguir tudo, em todas as áreas da vida, e comemora as pequenas conquistas.

Texto de Ivonete Lucirio, jornalista que adora escrever para revistas – digitais ou impressas. Escreve artigos para várias publicações de circulação nacional, é autora de livros paradidáticos e já ministrou oficinas de escrita criativa.

 

 

Crédito da imagem de destaque: LinkedIn.

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