Estou tão cansada!

Quantas vezes você fala isso por dia? Na maior parte das vezes, a frase pode estar relacionada a somente o acúmulo de tarefas mesmo. Mas pode ser sinal de que está na hora de desacelerar, ou até mesmo de procurar um médico.

(Texto de Ivonete Lucirio)

Estar cansada, de modo geral, é algo esperado. Quem enfrenta fila, trânsito, horas e horas de trabalho, academia, supermercado tem todo o direito de se sentir assim. Só que não é normal já acordar se sentindo muito cansada, ou começar a semana desanimada, ou ainda se sentir exausta o tempo todo. Estar cansada não é, necessariamente, um fato ruim. É uma sinalização de sobrecarga de tarefas que obriga a diminuir o ritmo e, assim, evitar um dano maior ao organismo. Só que, se a exaustão for muito intensa a ponto de comprometer as atividades diárias, algo pode estar errado. “Quando observamos um cansaço pontual, não contínuo, a culpa no geral é do excesso de atividades, ou mesmo falta de preparo físico”, explica o médico especializado em envelhecimento Rodrigo Corrêa. “Já o cansaço crônico, diário e não relacionado a qualquer atividade praticada possivelmente está relacionado a uma alteração patológica”, completa ele. Vamos ajudar a identificar cada caso, se está fazendo você sofrer e como lidar em cada situação.
No fim do dia. É muito provável que esse cansaço que bate, principalmente à noite, ou na sexta-feira – quando seu cérebro sabe que está chegando a hora de reduzir o ritmo e já começa a se preparar –, seja mesmo resultado do excesso de tarefas que você anda cumprindo. Acúmulo de tarefas gera estresse, que, por sua vez, faz com que o corpo produza mais hormônio cortisol. Esse hormônio não é prejudicial em si, pelo contrário, fornece energia extra. Mas o corpo não foi programado para funcionar o tempo todo na base do cortisol. Por isso, se for produzido constantemente, depois de alguns dias, o corpo sentirá o efeito. A solução é tirar o pé do acelerador.
Ao acordar. O mais provável é que o tempo de sono não esteja de acordo com o que seu organismo precisa. A quantidade de horas de que cada um necessita entre os lençóis varia de uma pessoa para outra, mas fica em torno de 6 a 10 horas. Desrespeitar esse momento cobra um preço. Uma pesquisa publicada em 2014 pela revista Sleep mostrou que, sem descansar apropriadamente, a capacidade de funcionamento do cérebro fica embaralhada, gerando cansaço mental. E não é somente a quantidade de horas que importa. É preciso respeitar também o ritmo biológico individual. Há pessoas que se sentem mais dispostas quando pulam da cama, às 6 horas. Já outras produzem melhor quando acordam mais tarde – ainda que tenham dormido o mesmo número de horas dos madrugadores. O melhor é garantir a quantidade mínima de sono durante a semana – nos horários mais adequados para cada organismo – e fazer um “banco de horas” no fim de semana. Ao contrário do que se acreditava, as pesquisas recentes revelam que compensar as horas mal dormidas no sábado e no domingo aumenta, sim, o bem-estar.

Crédito: Dragon Imagens

Junto com tristeza. Muitas vezes, o cansaço vem acompanhado de um profundo desânimo, que pode ser sinal de depressão. Esse estado costuma perdurar o dia todo, mas é mais intenso pela manhã. Se a sensação – que normalmente vem acompanhada da vontade de chorar e de recolher-se – não desaparecer depois de uma semana, o jeito é procurar um médico. Ele vai ajudar a encontrar o melhor meio de tratar da situação e dos sintomas, que pode ser com medicamento, com terapia, métodos alternativos ou métodos combinados.
Junto com desânimo. A sensação de cansaço pode mascarar a falta de vontade para fazer algo. É uma forma de o cérebro mostrar que aquela tarefa, de alguma forma, é desagradável. Nesses casos, uma técnica motivacional pode funcionar.
Já é doença. Os principais desequilíbrios que causam fadiga são o hipotireoidismo e a anemia. Quando a pessoa tem hipotireoidismo, sua glândula tireoide produz uma quantidade reduzida dos hormônios T3 e T4. Esses hormônios são responsáveis pelo metabolismo e, se a produção deles se reduz, todo o organismo fica mais lento.
“Com relação à anemia, ela se caracteriza por uma quantidade reduzida de glóbulos vermelhos e, consequentemente, de hemoglobina, em circulação no sangue. O papel da hemoglobina é transportar oxigênio do pulmão para todas as partes do corpo, como os músculos e o cérebro, e fazê-las funcionar direitinho. Com pouco oxigênio, o organismo opera em marcha lenta”, diz Rodrigo Corrêa.
Existe também uma condição física chamada síndrome da fadiga crônica, que aparece muitas vezes depois de uma infecção, como uma gripe. A pessoa se livra dos vírus, mas a fadiga persiste. Nesses casos, o cansaço não aparece sozinho, é acompanhado por dores no corpo, aumento dos gânglios linfáticos ou dor de cabeça.
“O uso contínuo de alguns medicamentos, como relaxantes musculares, antidepressivos, anti-histamínicos e certos analgésicos, também leva à sensação de cansaço”, lembra Sara Bragança, médica especializada em terapia ortomolecular.

Dicas para melhorar a disposição e ter mais energia:
* coma açaí. A fruta tem alto teor de gorduras insaturadas, que fornecem energia para o organismo.
* tome uma ducha gelada depois de um banho morno. Alternar água quente e água fria melhora a circulação e desperta, deixa a pessoa mais acordada.
* coma um chocolatinho. O cacau é rico em uma substância chamada triptofano, que influencia na melhora do humor e da disposição.
* faça atividade física. O exercício promove uma melhora nos sistemas circulatório e respiratório, de modo que mais oxigênio seja enviado para o cérebro, o que diminui, principalmente, o cansaço mental.

Ivonete Lucirio é jornalista; adora escrever para revistas – digitais ou impressas. Escreve artigos para várias publicações de circulação nacional, é autora de livros paradidáticos e já ministrou oficinas de escrita criativa.

 

 

Crédito da foto principal: Alphaspirit/Shutterstock

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