Está difícil dormir

Essa afirmação vale para parte considerável da população, que tem problemas para cair no sono quando vai para a cama.

(Texto de Ivonete Lucirio)

Quem sofre com insônia sabe como é angustiante ficar se revirando entre os lençóis enquanto o sono não vem. Em estudo realizado em 2008 por integrantes do Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em todo o Brasil, mostra que 63% das pessoas apresentam pelo menos uma queixa com relação ao sono. Ok, a agitação colabora para que isso aconteça. Mas não é o único fator. Ser do sexo feminino, por exemplo, também é um fator de influência. Uma longa pesquisa realizada na Universidade Essex, na Inglaterra, e divulgada em março de 2016 mostra que 24% das mulheres afirmam demorar mais de 30 minutos para pegar no sono, contra 18% dos homens. “Em algumas épocas da vida da mulher, há maior prevalência de insônia, como em períodos de mais ansiedade e depressão, uso abusivo de medicamentos e de estimulantes, períodos com dor, além de evidente piora após a menopausa”, afirma Fernando Morgadinho, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. As preocupações também são um fator que contribui para intensificar a insônia.

Quando a cabeça não para de funcionar, o sono também não vem. O estudo realizado pela Universidade Essex revelou que 33% das pessoas que estão insatisfeitas com seu trabalho apresentam insônia, contra apenas 18% dos satisfeitos. Ficar pensando nos problemas leva a pessoa a demorar para adormecer e também a despertar durante a noite. Falta de rotina é outro complicador. O corpo se acostuma com aquilo a que é submetido. Se cada dia a pessoa se expõe a muitos tipos de situações diferentes – como se deitar em horários diferentes –, haverá dificuldade para o organismo entender que aquela é a hora de adormecer. Isso gera insônia.

Veja, a seguir, algumas dicas para dormir melhor.

  • Na hora de se deitar, canalize os pensamentos para algo monótono, que faça o sono chegar. Pode-se, por exemplo, contar de trás para frente somente os números pares. Ou, ainda, usar a técnica da imagem mental: imagine que você está deitada em um barco que desce um riacho bem tranquilo, devagar. Use todos os seus sentidos durante o exercício, ouça o som das águas, sinta o vento e o cheiro da mata ao redor.
  • Diminua o consumo de café. Ele age de forma a deixar a pessoa mais alerta. Para adormecer, o organismo produz uma substância chamada adenosina, que se une às células do cérebro, diminuindo sua atividade. A cafeína bloqueia a ação da adenosina e, com isso, aumenta a agitação dos neurônios. A glândula hipófise interpreta essa situação como um sinal de emergência e favorece a liberação de hormônios como a adrenalina, responsável por deixar o corpo em alerta.
  • “Deite-se e levante-se sempre no mesmo horário para que o organismo se acostume”, sugere o neurologista Shigueo Yonekura, especialista em distúrbios do sono da Universidade de São Paulo e médico do Instituto de Medicina do Sono de Piracicaba e de Campinas.
  • Tire o rádio relógio do criado-mudo, para evitar a ansiedade que surge quando se demora a adormecer.
  • O quarto deve ser usado somente para dormir, nada de comer ou de trabalhar nele.
  • Medite. Em uma pesquisa realizada no ano passado por integrantes da Universidade Federal de São Paulo, comparou-se a eficiência dessa técnica. O estudo foi feito com 16 mulheres que tomavam medicamento para dormir. 75% delas abandonaram o remédio depois de iniciar a prática.
  • Em casos crônicos de insônia, faça terapia. Uma pesquisa da Universidade de Northumbria, na Inglaterra, revelou que 73% dos participantes passaram a dormir melhor depois de três meses de terapia.

Ter dificuldades para dormir uma ou duas vezes por mês não caracteriza insônia. Esse quadro se constitui quando a pessoa não consegue dormir por cerca de uma semana completa. Se ao adotar essas sugestões anteriores o problema não se resolver, é hora de procurar um médico.  E tenha bons sonhos!

 Texto de Ivonete Lucirio, jornalista que adora escrever para revistas – digitais ou impressas. Escreve artigos para várias publicações de circulação nacional, é autora de livros paradidáticos e já ministrou oficinas de escrita criativa.

Crédito da foto principal: Copyright: PrinceOfLove/Shutterstock

 

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