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A escolha da escola para o meu filho

(Texto de Carmen Benedetti)

Quando nos deparamos com a tarefa de escolher uma escola para nossos filhos, estamos diante de mais do que uma simples escolha por uma escola. Estamos diante do que queremos para o futuro deles. E essa escolha se inicia lá atrás, mesmo antes de eles nascerem, quando começaram nossas primeiras fantasias sobre como eles seriam fisicamente, profissionalmente, como pessoa, enfim.

Nos primeiros projetos que tínhamos para eles, estavam embutidas expectativas. Algumas delas serão cumpridas, outras nem tanto e uma boa quantidade não chegará nem perto de ser realizada. Para pais e mães que tiverem flexibilidade, a mudança de trajeto poderá ser feita sem muita decepção, considerando as aptidões da criança e suas dificuldades, ainda com possibilidade de ganhos fornecidos por ela desenvolver um caminho próprio. No entanto, quando há rigidez de planejamento, ambos, pais e crianças, sofrem. Os pais pelo luto do filho idealizado, e os filhos, muitas vezes, pela sensação de culpa por não conseguirem ser o que foi concebido e idealizado e pela indignação por não se sentirem respeitados em suas escolhas.

A escolha da escola é mais um item, entre tantos outros, que guarda relação direta com o que projetamos para os nossos filhos. Quando optamos por uma escola, invariavelmente, queremos que ela, de alguma forma, nos ajude na concretização do projeto que fizemos para nossos filhos. Grosso modo, muitas vezes, a escola adotada tem mais a ver com nossas necessidades do que com as deles. E este já seria um bom parâmetro a ser questionado, sobretudo, se ele for o único.

Outro bom critério que pode ser relativizado é a escolha da escola pela localização. Ninguém discute que objetivamente uma escola próxima ajuda e muito no dia a dia, mas vejo que muitos pais consideram este o parâmetro de referência, principalmente quando as crianças são muito pequenas, e, sem dúvida, trata-se de uma escolha equivocada. Até porque é uma ilusão de que a escola infantil é menos importante do que aquela que os receberá nos anos subsequentes: a curiosidade por aprender e os primeiros passos rumo à autonomia nos estudos começam na pré-escola.

Crédito: Educar para crescer

Mas, então, o que fazer? Tenho a impressão de que a primeira atitude que os pais devem ter é olhar para si mesmos e tomarem consciência de suas expectativas em relação aos filhos. A segunda é equiparar essas expectativas; muitas vezes, pais e mães têm projetos que parecem parecidos, mas não são: pais que querem que o filho vença na vida podem imaginar caminhos diferentes para chegar a esse propósito. A terceira é comparar essas expectativas com os filhos reais, para que não se desrespeitem suas habilidades, potenciais e limitações. E, por fim, visitar escolas e verificar as que guardam sintonia com tudo isso. Lembrando que essa escolha pode ser reeditada, a cada ano, mediante uma observação atenta e responsável e um questionamento constante. O próprio desenvolvimento escolar é um bom indicador de que a escolha foi ou não acertada. Crianças mal adaptadas à escola costumam manifestar sinais: desmotivação para ir à escola e para aprender, dificuldades com a socialização, irritabilidade e apatia. Essas podem ser boas pistas de que algo errado acontece. Manter aberto o canal de comunicação com a escola é um primeiro passo, mas, quando o resultado não ocorre a contento, vale a pena questionar se a criança não poderia ser beneficiada com a troca por uma escola cujo método, a postura dos professores ou a filosofia escolar, como um todo, tivessem mais a ver com as características de sua personalidade.

O mais importante, no entanto, é não ceder às pressões sociais e ao pânico, que cria a ilusão de que uma escola forte será sinônimo de sucesso financeiro futuro e que uma escola que privilegie o pensamento autônomo garantirá sucesso pessoal. Guiar-se por referências externas não é um bom caminho. O melhor é que haja uma sintonia entre as expectativas dos pais, a proposta pedagógica e a personalidade da criança.

Mas, então, qual é a escola boa? De forma sucinta, talvez seja aquela que atenda em um grau razoável às expectativas dos pais, ao mesmo tempo em que promova um ambiente capaz de deixar as crianças felizes e seguras para se abrir ao aprendizado. Lembrando sempre que não existem pais perfeitos, crianças perfeitas e muito menos escolas perfeitas.

Leitura complementar – Sugerimos o Especial “Escolha a escola” – Caderno Educação da Folha de S. Paulo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/educacao/escolhaaescola/>. Acesso em: 03 jan. 2017.

 

 Carmen Benedetti é formada em Psicologia pela PUC-SP, em Psicodrama pela Escola Paulista de Psicodrama e doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Atualmente, é coordenadora de projetos educacionais do Estúdio Bogari Produção Editorial Ltda. e psicóloga clínica em consultório particular, atendendo adultos e adolescentes, em regime individual, grupal e de casal.

Crédito da imagem de destaque: everything.plus

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