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Como lidar com as proporções do nosso corpo

(Texto de Renata Buset)

Quando gostamos de uma roupa, nem sempre conseguimos identificar se ela valoriza nosso tipo físico, se o modelo evidencia mais ainda algo que pretendíamos disfarçar, se a cor ou outro detalhe da peça chama a atenção para uma parte que não queríamos mostrar tanto.

Pensar em tudo isso pode parecer difícil, mas não é. É necessário treinar o olhar, prestando mais atenção em seu corpo ao experimentar uma roupa ou ao pensar em uma composição. Observar o próprio corpo para saber qual é seu formato, perceber seus volumes e formas, é um grande passo para reconhecer suas necessidades e, assim, pensar em peças e acessórios que ajudem a balancear suas proporções.

O truque é mostrar e esconder, criando um equilíbrio entre as partes do corpo, com volumes, cores, formas, modelos, tecidos, comprimentos, acessórios. Se alguma parte do corpo é muito estreita ou larga, menos volumosa ou mais volumosa em relação ao restante, pode balanceá-la, disfarçando-a ou desviando o olhar para outra parte do corpo que a contrabalanceia. Por exemplo, uma pessoa que tem ombros estreitos e quadril grande, se quiser, pode minimizar essa diferença de algumas maneiras, como chamar a atenção para a parte superior, equilibrando as duas partes. Também pode usar uma peça escura na parte inferior e outra peça mais clara, soltinha e com algum detalhe na parte superior.

As formas do corpo variam bastante de pessoa para pessoa. Assim, você pode usar o mesmo tamanho de roupa que uma amiga e a mesma peça não ter o mesmo caimento em ambas. Além disso, é importante saber que as modelagens variam bastante de uma confecção para outra. Por isso, sempre que tiver dúvida em relação ao número do manequim quando for comprar uma roupa, experimente um tamanho maior e outro menor, para ter certeza de que o tamanho está correto.

Veja a seguir os tipos físicos básicos:

  • Ampulheta: ombros e quadril da mesma largura, cintura bem definida, geralmente com costas largas e coxa volumosa.

  • Triângulo: quadril e coxas mais acentuadas do que os ombros, que são estreitos; quadril largo, coxas volumosas.

  • Triângulo invertido: muito busto, ombros largos, quadril estreito, pernas finas.

  • Retângulo: cintura menos definida, harmonia entre a medida do ombro e a do quadril, braços e pernas em geral mais finas em relação ao corpo; poucas curvas.

  • Oval: formas arredondadas, volume nos quadris, na cintura e no busto; barriga proeminente.

Esses tipos físicos devem ser considerados apenas referências de proporção corporal, principalmente entre ombro e quadril. Uma mulher pode ter um corpo tipo retângulo, por exemplo, sem necessariamente ter pernas finas.

Gloria Kalil, em seu livro Chic: um guia básico de moda e estilo, considera os seguintes tipos de configurações básicas do nosso corpo:

  • Tronco longo com pernas curtas. Objetivo: balancear a metade superior com a metade inferior, usando peças que permitam “trazer” a cintura um pouco acima da linha natural, o que diminui o tronco e alonga as pernas.
  • Tronco curto com pernas longas. Objetivo: balancear a metade superior com a metade inferior, usando peças que permitam “trazer” a cintura um pouco abaixo da linha natural.
  • Tronco e busto mais pesados do que o quadril. Objetivo: alongar a região do colo e do pescoço e neutralizar o volume do tronco.
  • Tronco leve com quadril avantajado. Objetivo: disfarçar a região do quadril e chamar a atenção para o colo.

Essas proporções, às vezes, são sutis e por isso é difícil identificá-las no corpo. Em vez de sugerir o que usar e evitar, vou citar alguns exemplos do efeito de alguns modelos, cores etc. para disfarçar ou valorizar aquilo que se deseja:

  1. Acertar a silhueta usando duas peças em vez de uma única, como um vestido, é mais fácil. Para alongar a silhueta, use looks monocromáticos escuros, ou seja, todas as peças em uma única cor. As meias-calças escuras opacas ou pretas alongam a silhueta.
  2. As cores escuras e os tecidos mais molinhos emagrecem, porque disfarçam o volume. Assim como as cores claras, brilhantes e quentes, e os tecidos que armam, que são fofos e peludos, proporcionam volume. As cores escuras tendem a desaparecer quando estão acompanhadas de uma cor vibrante.
  3. As estampas com fundo escuro emagrecem e, sobre fundo claro, aumentam a silhueta. As listras e os detalhes horizontais são achatadores, já as listras verticais são alongadoras.
  4. O decote “V” profundo alonga a região do colo. Os decotes em “V” ou redondo baixo favorecem quem tem busto pequeno, assim como as golas altas, as lapelas e as golas largas, os franzidos, os babados e os pregueados na linha do busto.
  5. O uso de acessórios, como brincos, lenços e detalhes que chamam a atenção para o colo e o pescoço, é ideal para quem quer disfarçar uma barriguinha mais saliente.
  6. Fendas na frente dão ilusão de pernas mais longas. A pantalona cria volume na parte de baixo e, por isso, ameniza quadril estreito e pernas finas. Nesse caso, padrões horizontais na parte de baixo ou algum detalhe na bainha de casacos, saias e vestidos também ajudam a equilibrar a silhueta.

A ideia aqui não é ditar o que “pode” e o que “não pode” ser usado. Se me sinto bem com um vestido longo de listras horizontais, mesmo tendo 1,60 de altura, eu uso. Mas sei que, se usá-lo com um salto, alongo minha silhueta, já que o efeito das listras horizontais é achatador.

Acredito que esse conhecimento deve se tornar apenas mais um recurso para ser usado a seu favor. Portanto, não precisa ser uma regra, limitando sua liberdade, seus desejos e reprimindo seu estilo. E, se tiver alguma dúvida, pode me escrever que eu respondo! ; )

Referência bibliográfica

KALIL, Gloria. Chic: um guia de moda e estilo para o século XXI. São Paulo: Senac São Paulo, 2011.

Renata Buset é formada em Comunicação Social e técnica em Produção de moda. Depois de trabalhar com edição de livros durante muitos anos, resolveu  estudar fotografia e moda. Apaixonada por brechós e pelo vintage, acredita no consumo consciente e na preservação da essência do ser no modo de se vestir. [renata.buset@gmail.com]

 

 Ilustrações de Carlos Asanuma, mais conhecido por Asa. Trabalhou muitos anos em editora de livros didáticos, como Editor de arte, e agora dedica seu tempo ao desenho. Desenha desde criança. Ilustrou para revista, jornais, revistas empresariais e livros didáticos. Além de desenhar, tomou gosto pela fotografia; adora fotografar insetos.

Crédito da foto da capa: Viktoria Mimkova/Shutterstock.

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